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Márcio Sant’ana e Punk, a dupla, por Helmut Gondim


Márcio Sant’Ana, ou simplesmente Marcinho, como costumávamos chamá-lo nos bons tempos da SLA, de Salvador, foi um dos redatores mais talentosos que tive o prazer de trabalhar na minha querida Bahia.

A SLA, de Clóvis Lima, Cléo Silva, Marcelo Simões e também minha, pois cheguei a ser sócio durante dois anos, era uma agência que estava começando. Uma dissidência do pessoal da DM9 e Propeg, que tinha planos ambiciosos.

Quando fui convidado para assumir a diretoria de criação, pensei: se vocês me derem carta branca para montar um time competitivo, eu topo. Não deu outra.

Talentos como Edmond Midlej, hoje diretor de criação da Morya, tradicional agência baiana, já faziam parte da equipe que encontrei na SLA. Mas precisávamos de sangue novo. Foi quando me lembrei do Marcinho, redator que estava se destacando entre a turma mais nova, que topou o desafio e veio trabalhar com a gente. Lucas Peixoto, outro jovem e talentoso diretor de arte, veio com ele, pra reforçar ainda mais o time.

Um pouco de experiência também era importante. Pensando nisso, contratamos o Wanderley Gomes, mais um mineiro que migrou para a propaganda baiana. Pra completar, tínhamos um estagiário de sangue nobre, o Homero, filho do Washington Olivetto, que começou na redação mas hoje é um dos bons diretores de cena da publicidade tupiniquim.

Com tanta gente competente, em pouco tempo a SLA já figurava entre as principais agências da Bahia e, apesar da pouca idade, também era uma das mais premiadas.

Mas vocês devem estar se perguntando: e o tal Punk, quem é?

Bom, aí eu passo a bola para o Marcinho, que é o criador da criatura. 15 anos depois, fico feliz ao perceber que ele não perdeu a irreverência nem a criatividade e muito menos o bom humor. Punk esse seu texto, Marcinho.



   O manual do publicitário

* por Marcio Sant’Anna e Punk

Gostei tanto do convite para participar desta coluna que quis dividir essa alegria convidando outra pessoa para fazer uma participação especial em minha participação especial. Daí convidei Punk, um cara que era punk e trabalha como redator aqui na Muito. Ele fez um texto politicamente incorreto sobre como funciona uma agência de propaganda e eu achei que este texto funcionaria muito bem neste espaço. Enfim, este é o Manual do Publicitário, escrito por Punk, o publicitário.

O ATENDIMENTO

Para se dar bem nessa área é só puxar o saco se o chefe for homem ou aguentar o mau-humor se a chefe for mulher. Outra boa dica é sempre dar um jeitinho de falar “a nível de”, “agregar valor”, “share”, “target” ou outras expressões do gênero que podem ser facilmente aprendidas em qualquer “workshop”, de preferência com um executivo de marketing paulista desses bem almofadinhas. Para as mulheres, saias curtas e blusas decotadas são as roupas ideais. Para os homens, gravata sem o paletó e um gelzinho gosmento no cabelo.

O ESTÚDIO

Se você gosta de viver perigosamente, este é o lugar. O primeiro passo é saber que os donos de agências ainda não decidiram se deve ficar perto da criação ou da produção, mas já é certo que deve ficar sempre longe do atendimento. Para fazer sucesso no estúdio, a pessoa tem que gostar de comer pizza, dormir tarde, acordar cedo, ouvir a voz estridente do atendimento dizendo que não vai dar tempo e aguentar o diretor de arte pedindo pra subir um tantinho assim o cyan. Fora isso, é tranquilo.

O FINANCEIRO

É a galera que paga. Portanto, é indispensável que você tenha moral. Não interferem diretamente no trabalho da agência, se bem que há quem diga que um funcionário que é pago em dia trabalha com muito mais energia. Acho piegas, mas acho que é verdade.

A MÍDIA

É um departamento, digamos, um pouco burocrático. Geralmente o pessoal que fica na mídia é porque não deu certo nas outras áreas. Digo geralmente porque, assim como tem gente que gosta de assistir espetáculos de tango, tem gente que gosta de trabalhar na mídia. Mas vale a pena ficar de olho pois costuma render ótimas estagiárias.

A PRODUÇÃO

É uma incógnita. Tem lugares que a galera da produção é gente boa e produz muito e tem lugar que a galera não produz nada e é muito chata. As estagiárias costumam ser interessantes, na maioria dos casos são meio tiradas a hippie, mas desde que você não seja um metaleiro incorrigível, dá pra se dar bem.

A CRIAÇÃO

Aqui o povo vive criando. Caso. É o pessoal que mais reclama na agência. Se bem que em muitos casos a galera tem razão. Ô. Alguém tem que fazer alguma coisa na agência. O pessoal do atendimento enrola, o pessoal da mídia fala ao telefone, o pessoal da produção corre de um lado pra outro, o pessoal do financeiro paga quando pode, o pessoal da criação reclama e o dono da agência fica rico. Ah. Não esqueça que quase todo mundo que trabalha na criação é um artista frustrado, então se a sala tiver um pé direito muito alto, é para acomodar os egos. Bom. É mais ou menos isso.

O DIRETOR DE ARTE

É o típico departamento de 1 pessoa só. Sério. Tem diretor de arte que é uma verdadeira instituição: chega na hora que quer e vai embora na hora que tá a fim. Mas isso era antigamente, hoje é diferente: chega na hora que quer e vai embora na hora que o patrão demite. Ô. Agora é só a pessoa aprender a mexer no computador e usar umas roupinhas diferentes que vira um diretor de arte. No caso das mulheres é diferente. Pra ser uma diretora de arte não precisa saber mexer em nada, só no quadril.

O REDATOR

Bom. Aqui se encaixam todos os profissionais que não se encaixaram no item anterior. Exatamente. Se o cara não aprender a mexer no computador e não souber se vestir direito vira um redator. Se for mulher, basta saber escrever bilhetes. “Na hora do almoço te encontro na sala de reunião” ou “depois do expediente na garagem”. Infelizmente ou graças a Deus, é assim que as coisas acontecem.

O DIRETOR DE CRIAÇÃO.

Virar diretor de criação é muito fácil, basta ter três qualidades básicas: paciência, subserviência e vontade de ser demitido. Primeiro: é preciso ter paciência para ficar uns dois ou três anos ouvindo as mesmas idiotices e achando tudo muito bom. Segundo: é indispensável puxar o saco do patrão para que no meio de uma reunião ele possa falar a maior asneira e ter certeza que vai contar com seu apoio. Terceiro: se a agência vai mal demitem o diretor de criação, se a agência vai bem demitem também, já que a agência vai bem não precisa mais dele. Fora isso, é ótimo. Ganha bem, tira onda e ainda tem o direito de ser o primeiro a comer a estagiária nova.

O DONO.

São todos iguais. O pior é que geralmente são bons de papo, a gente sempre acredita que eles são legais e acaba topando um salário bem abaixo do que a gente acha que merece. No mais são todos ricos, esnobes, interesseiros e metidos a saberem de tudo mesmo sem saberem muita coisa. É isso. Se tem exceção? Claaaaro. Isso é uma regra. Mas no geral é isso mesmo. Viu um, viu todos.

A MULHER DO CAFEZINHO

Preste atenção: a qualidade de uma agência de propaganda é medida pela mulher do cafezinho. Se ela for legal, pode ficar tranquilo que a agência é legal. Se não for, já sabe: diga que vai ali na esquina tomar um café e suma.


Meu nome é Márcio Sant’Ana e acho que só fui convidado para escrever aqui porque sou amigo de Helmut, apesar de ter trabalhado como redator em Salvador, São Paulo e em um monte de campanhas políticas pelo Brasil. Hoje sou diretor de criação da Capacitat (SP) e sócio da Muito (Salvador). É isso. Se quiser saber mais, acessem www.tudomuito.com ou me siga @zmarcioz. Valeu, Helmut. Tudo muito pra você!


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